domingo, 17 de agosto de 2008

Dor ou sofrimento?

" A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício
da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que,
esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional "- C.D.A.


É engraçado essa mania do ser-humano de julgar o outro. De idealizar o outro, projetar as suas próprias expectativas no outro, e de se frustrar com o pobre outro se o mesmo não corresponde à idealização dele. Ficamos sempre tentando advinhar o por quê de determinadas situações ou ações do outro. Por quê fulano fez isso e não aquilo? Por quê ele ligou e falou assim? Por quê ele não ligou?Sempre me pergunto se ainda estou passando pela dor ou se optei pelo sofrimento.
É muito fácil esquecer de tudo e de todos quando estamos na balada, curtindo com os nossos amigos e bebericando um bom champagne francês. - vazio -
Mas e depois?E depois que isso passa? Como é chegar em casa e não ter ninguém para dar o telefonema de Boa Noite? Ninguém que se preocupe com vc e com o que você sente.
Acho engraçado essas pessoas que se acham super " hype " porque vão para a balada, conseguem dar uns beijos em algum mauricinho bem vestido e depois voltam para casa sem ninguém. Onde está a diversão, cadê o seu amor de verdade, o cara que deixa suas pernas bambas, que te deixa sem saber como agir?
Não estou dizendo que já encontrei o meu, longe disso... só não consigo entender porque dizemos que superamos algo se isso só é mascarado, anestesiado por baladas paulistanas.
Tenho meus gostos, anseios, vontades, sonhos... e quem não possui? Mas até que ponto estamos realmente vivendo e desejando uma vida que é aquela que nós realmente queremos, ou uma realidade imprimida, quase postiça?
Tenho vontade mesmo de ficar em casa assistindo filme embaixo das cobertas e tomando chocolate quente com o tal amor da minha vida.Mas o problema (novamente um problema) é : e onde está o amor da minha vida?
Li uma vez em um texto do Arnaldo Jabor que o homem está sempre em busca da sua alma-gêmea, da outra metade da laranja, da tampa da panela. E mesmo isso soando totalmente brega, cafona e piegas é assim que eu me sinto... numa busca constante pela minha outra metade.
Talvez eu já tenha a achado - e perdido..- por isso, volto a dizer que não sei se ainda passo pela dor ou se escolhi o sofrimento e não permito que outras pessoas preencham esse vazio que ainda existe aqui. Parece que ninguém é suficiente.. sempre tenho que comparar e isso cansa, cansa qualquer um...até eu mesma. Mas é inevitável.
Quando penso que a ferida está seca e fechada dentro de mim, sempre volta um resquício de tudo o que passei. Parece que ela abre de novo e é cutucada com um pedacinho de madeira, lá no fundo.Mas aí, volto para a minha pergunta... isso é dor ou é o sofrimento que EU mesma escolhi e estou me permitindo passar?

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